quarta-feira, Abril 23, 2014

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Damon Albarn, Heavy Seas of Love



A dias do lançamento de um álbum a solo, Damon Albarn apresenta mais um tema do seu alinhamento. Estas imagens foram captadas pelo próprio músico. O tema conta com a colaboração vocal de Brian Eno.

Novas edições:
Chris Garneau, Winter Games


Chris Garneau

“Winter Games”
Clouds Hill
4 / 5

Faz-se e edita-se música a mais. E entre a enxurrada de títulos e sons muitas vezes há pequenas pérolas que acabam por passar longe das atenções. É o caso de Winter Games, o terceiro álbum do cantautor norte-americano Chris Garneau. Dei por ele há uns anos ao som de Relief, canção que então anunciava a chegada de Music For Tourists (2006), o seu álbum de estreia. Pelo caminho lançou mais um EP e um segundo álbum de originais a que chamou El Radio (2009). E fez-se silêncio... Editado entre a voragem dos títulos que olham esbugalhados para o mercado do Natal, Winter Games (teve lançamento em novembro de 2013) foi coisa quase muda na altura. Cruzei-me com o disco, finalmente, há poucos dias. E valeu a espera. O álbum surgiu num tempo de mudança na vida do cantor, que deixou Nova Iorque para viver numa quinta mais a norte, no mesmo estado, passando a semana entre a paisagem e os animais, com a visita do namorado aos fins de semana. Com o Inverno como mote, as canções que foi compondo são pequenas notas sobre a solidão, que a voz tranquila e aguda (e em ocasional incursão pelo falsetto) do cantor se junta ao piano que dirige os acontecimentos, sob a moldura de arranjos elaborados e aconchegantes. Com nomes como Tori Amos, Nick Drake ou Eliott Smith por referência, Chris Garneau cria em Winter Games um plácido ciclo de canções num registo de elegante pop de câmara, propondo em Winter Games o seu mais coeso conjunto de canções. E que vale a pena não deixar viver no silêncio pelo qual tem caminhado.

Clássicos da Eurovisão:
Sandie Shaw (1967)


Ao que parece, das canções que tinha para apresentar para eventualmente levar à Eurovisão em 1967, Puppet on a String foi das que Sandie Shaw menos gostou... Mas acabou por ser essa a escolhida. E não foi pelo facto de a ter cantado descalça em pleno palco eurovisivo que se tornou num dos mais inesquecíveis clássicos pop dali nascidos. A canção deu a primeira vitória ao Reino Unido, num mesmo ano em que Portugal se fazia representar com O Vento Mudou, de Eduardo Nascimento e, pelo Luxemburgo, surgia Vicky Leandros (que venceria em 1972) com L’Amour Est Bleu.

Sandie Shaw não era uma ilustre desconhecida quando, em 1967, representou o Reino Unido no Eurofestival. Com discografia desde 1964, tinha já conquistado um número um com (There’s) Always Something There To Remind Me, canção que em inícios dos anos 80 teria nova vida numa versão assinada pelos Naked Eyes.



Da carreira de Sandie Shaw vale a pena recordar um outro momento. Aquele lo qual, em 1984, assinou uma versão de Hand in Glove, acompanhada pelos próprios The Smiths.

Podem recordar aqui a versão original de Puppet on a String.

Para ouvir:
Jack White, Laretto


Jack White está a preparar a edição de um segundo álbum em nome próprio. Laretto é um dos temas que integram o alinhamento. E pode ouvir-se já aqui.

Atentos às revelações da 'house'


A versão original é de Sterling Void e chegou aos ouvidos dos Pet Shop Boys numa compilação de música house. O grupo gravou a sua leitura deste tema, que cruza olhares sobre a situação política internacional de então com uma voz de esperança com a música como uma das mais sólidas fundações. It’s Alright seria editado como single em junho de 1989. O próprio Sterling Void assinaria depois uma das remisturas da versão dos Pet Shop Boys.

terça-feira, Abril 22, 2014

Rosamund Pike por David Fincher

Tem 35 anos, é inglesa e não se pode dizer que a sua carreira cinematográfica seja banal: afinal de contas, estreou-se como "Bond Girl", contracenando com Pierce Brosnan em 007 - Morre Noutro Dia (2002), participou numa versão de sucesso de Orgulho e Preconceito (2005) e até já foi par de Tom Cruise em Jack Reacher (2012) — o certo é que Rosamund Pike é ainda um rosto (e um talento) relativamente desconhecido. Enfim, foi por isso mesmo que David Fincher a escolheu, para contracenar com Ben Affleck, na sua adaptação do romance de Gillian Flynn, Gone Girl: "Agradava-me que as pessoas não soubessem de imediato quem é Rosamund", diz ele a Lynn Hirschberg, em artigo da revista W.
Como será Rosamund vista e dirigida por Fincher? Curiosamente, os primeiros sinais da sua colaboração têm sido de natureza fotográfica e com assinatura do próprio realizador — primeiro, através de uma capa da revista Entertainment Weekly; agora, num magnífico portfolio para acompanhar, precisamente, o artigo da W. Há, talvez, outra maneira, típica do imaginário de Hollywood, para dizermos tudo isto: a star is born!

Nas fronteiras do documentário

Como recordar a carnificina que assolou a Indonésia, em 1965-66, precedendo a chegada ao poder do Presidente Suharto? O cineasta Joshua Oppenheimer estabeleceu um diálogo com os próprios assassinos, convidando-os a encenar os seus crimes. Resultado: um documentário que desafia as fronteiras do próprio género documental — este texto foi publicado no Diário de Notícias (17 Abril), com o título 'O que é uma visão do mundo?'

É muito difícil falar/escrever sobre um filme como O Acto de Matar, de Joshua Oppenheimer. Desde logo, pela violência intrínseca das suas memórias: as atrocidades evocadas — ocorridas durante a purga anti-comunista de 1965-66, na Indonésia — perturbam qualquer sensibilidade humanista. Ao mesmo tempo, à medida que avançamos nesta saga dos assassinos que encenam a sua própria história, deparamos com a pergunta mais primitiva do género documental. A saber: que contrato existe entre quem filma e a realidade que é filmada?
Contrato, entenda-se, não significa aqui um obrigatório documento formal definindo as formas de relação entre cineasta e personagens. A relação contratual que está em jogo é de outra natureza: trata-se de saber que discurso o cineasta elabora a partir das “fatias” de realidade que procura ou lhe são proporcionadas. De uma maneira ou de outra, Oppenheimer toca, assim, numa questão nuclear da actual conjuntura documental: como ser fiel à complexidade de uma tão perturbante realidade sem ceder aos códigos correntes do naturalismo televisivo e à sua crescente colagem às imposturas estéticas e filosóficas da “reality TV”?
São dúvidas que se justificam tanto mais quanto O Acto de Matar não renega uma componente de psicodrama que, por vezes, parece aceitar o sensacionalismo dos “apanhados” televisivos. Mais do que isso: são dúvidas que não excluem o reconhecimento paradoxal de que Oppenheimer pressente que é a densidade do seu tema que, no limite, questiona o próprio labor cinematográfico. Não creio que ele tenha uma resposta sólida para tais problemas, mas importa reconhecer que não é todos os dias que um filme documental expõe de modo tão radical a própria dificuldade de olhar e construir uma visão do mundo.

Ver + ouvir:
Angel Olsen, Forgive / Forgotten



Uma das grandes edições do ano é certamente o álbum de Angel Olsen. Aqui fica um dos singles dele já extraído, neste caso vincando a face mais indie rock do disco.

Novas edições:
Eels, The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett

Eels
"The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett"
E Works
4 / 5

Passaram apenas 14 meses desde a edição de Wonderful Glorious, álbum de pungente fulgor elétrico que afastou, por uns instantes, os Eels dos caminhos mais feitos de melancolia e baladas de infinita tristeza que afirmaram há muito Mark Everett - ou seja, E - como um dos grandes autores de canções nascidos (discograficamente falando) nos noventas. Com um título que deixa bem claro um foco de atenções autobiográfico, The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett, devolve os Eels a terreno mais "habitual", propondo um conjunto de canções suaves e tristes, polidas nas formas, claras nas palavras e cuidadas em arranjos (que, como sucedeu já em outros momentos da discografia do projeto, revelam um saber clássico na utilização de cordas). Este é talvez o mais pessoal entre os vários mergulhos interiores que ao longo dos anos fomos acompanhando nos discos dos Eels. Feitas as contas este é o seu 11º disco de estúdio e talvez o esteticamente mais direcionado e bem arrumado da discografia de Mark Everett. O alinhamento abre com o instrumental orquestral Where I'm At e termina com a sua versão cantada, sob o título Where I'm Going, a meio do caminho surgindo o único evidente surto de luminosidade em Where I'm From, as três faixas definindo como que a base estrutural de um corpo que define assim os espaços do "eu" que se afirma e sobre o qual evolui depois uma belíssima coleção de baladas de grande aprumo tanto na escrita como na interpretação. Diz-se, num daqueles mais habituais lugares-comuns da música popular, que as almas tristes nos dão grandes canções. Talvez não seja a tristeza a única grande fonte de inspiração, mas o novo disco dos Eels faz da melancolia um momento encantador. E junta ao catálogo de Mark Everett mais um episódio bem nascido, fiel a uma voz e uma linguagem que há muito deixaram de causar surpresa. Mas que, uma vez mais, reconfortam na certeza de que continuamos a ter aqui um dos grandes autores do presente.

No outro extremo do palco


Há um problema tremendo na forma de lidar com alguns documentários criados para o cinema que se coloca quando o tema é tão interessante e inédito que, mesmo perante uma ideia cinematograficamente pobre acabamos eventualmente saciados e satisfeitos. É certo que nem todos os temas podem ter um tratamento invulgarmente imaginativo, desafiante e arrebatador como o fez John Greyson ao documentar a história de figuras que vivem com o vírus VIH na forma de uma ópera em Fig Trees ou, e sem fugir desse mesmo assunto, o fez Joaquim Pinto no espantoso E Agora?... Lembra-me, filme que no ano passado vimos no Queer Lisboa e DocLisboa e que aguarda ainda uma muito justificada estreia em sala entre nós. Outro exemplo de grande ideia ao serviço de um documentário? A forma como Gonçalo Tocha mergulhou no dia-a-dia da Ilha do Corvo para nos dar a ver É Na Terra Não É Na Lua. Ou o retrato de vida e morte num mercado de Macau que João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata apresentaram em Alvorada Vermelha... O desfile podia avançar sem ter de visitar momentos célebres por Alain Reansis, Agnés Varda ou Chris Marker para dar exemplos de como o cinema documental pode ser uma experiência maior e capaz de expressar a personalidade de quem a assina... O grande problema de A Dois Passos do Estrelato é precisamente a falta de um ponto de vista que faça do filme uma experiência pessoal que depois possamos todos partilhar e não apenas uma peça jornalística cuidada, séria e oportuna de alto orçamento e longa duração.

Convenhamos que o assunto é mesmo muito interessante. Quantas vezes vimos atuações e escutámos gravações reparando que, ao lado dos protagonistas, normalmente uns metros mais atrás na geografia dos palcos, há outras vozes que ora sublinham, ora respondem, ora acrescentam algo ao canto que conduz a canção. Dar protagonismo a coristas foi pois a ideia de Morgan Neville, que foca atenções entre os universos pop/rock e do rhythm’n’blues e figuras com carreiras essencialmente lançadas entre os sessentas e oitentas, para em conjunto revelar peças determinantes nas histórias de tantas canções mas que ficaram lá por trás, entre o cenário, muitas vezes sem o nome devidamente reconhecido.

Darlene Love e a sua história de feitos nos sessentas, de vida sob o comando de Phil Spector e de um desvio de linha que a levou a dada altura a trabalhar em limpezas domésticas, é a “voz” principal num desfile de histórias e canções de figuras que cantaram ao lado de nomes como os Rolling Stones, Joe Cocker ou Sting. Vemos Luther Vandross, um dos poucos que vingou em nome próprio depois de por muitos descoberto nos coros de Young Americans de Bowie. Escutamos Mick Jagger ou Stevie Wonder. E Sting deixa claro que o fator sorte, aqui, por vezes, é determinante.

É verdade que A Dois Passos do Estrelato conta uma história poucas vezes contada, pelo que o filme tem esse mérito, encontrando histórias e vozes interessantes que, em conjunto, nos proporcionam um panorama claro deste universo. Olha por isso para a música colocando a atenção para onde raramente a lançamos. Mas a dinâmica de construção narrativa do filme é cansativamente televisiva. E, no modelo que nos propõe, um “especial” de 60 minutos dava conta do recado. No final, não entendi como – e talvez por ser relato de “coisa” esquecida da cultura americana se explique – um filme como este “rouba” o Óscar de Melhor Documentário ao decididamente mais marcante O Ato de Matar, esse sim, um daqueles a ficar na história do cinema (e nem é preciso acrescentar a palavra documental).

Para ouvir:
Roisin Murphy, Ancora Tu




Uma nova gravação de Roisin Murphy. Desta vez escutando um “clássico” da cultura pop italiana. O tema surge no EP Mi Senti, que a Vinyl Factory lança numa edição limitada, de 1000 exemplares, a 28 de maio.

Raridades para consumo de DJs


Ao longo dos anos houve muitas versões especiais de temas dos Pet Shop Boys incluídas em discos destinados ao circuito dos DJs. Este é um exemplo. That’s My Impression foi um tema originalmente surgido como lado B do single Love Comes Quickly, editado em inícios de 1986. Uma versão longa do tema, criada pela BJ Productions, foi incluída neste sampler para DJ. Trata-se de um volume da série Hot Trax onde, além dos Pet Shop Boys, encontramos também nomes como os Janet Jackson ou a S.O.S. Band.

segunda-feira, Abril 21, 2014

Natalie Merchant por Natalie Merchant

Longe vão os tempos dos 10.000 Maniacs... Natalie Merchant já há muito afirmou a sua identidade a solo. Mas é um facto que também há longos anos — desde 2001, com o excelente Motherland — não editava um álbum de temas originais. Pelo meio surgiram The House Carpenter's Daughter (2003) e Leave Your Sleep (2010), respectivamente uma retrospectiva da tradição folk e uma colecção de temas para a infância. Agora, Merchant apresenta onze novas canções num registo com chancela da Nonesuch que, porventura para sublinhar o regresso ao seu próprio interior, dá pelo nome de... Natalie Merchant. Eis o cartão de visita: Giving Up Everything, uma digressão intimista em tom nipónico.


>>> Site oficial de Natalie Merchant.

A avalancha televisiva do "Benfica"

LUCIAN FREUD
Duplo Retrato
1985-86
1 - A avalancha televisiva (incluindo os canais generalistas) em torno dos vencedores da liga principal do futebol português constitui, por certo, mais um dos grandes desastres culturais do pós-25 de Abril. Isto sem esquecermos que estamos perante um vício tristemente europeu: através de imagens e sons, voltamos a ser convocados para um ritual de histeria compulsiva — onde está um político que seja capaz de falar desta obscenidade existencial e mediática?

2 - Que seja um clube chamado "Benfica", eis o que é completamente irrelevante para a discussão simbólica do caso: não se trata de registar gostos clubistas, sejam eles quais forem, muito menos de imitar os diálogos (?) televisivamente polarizados em torno dos chamados três "grandes". Já vimos idênticos apocalipses televisivos em torno de "Porto" ou "Sporting" e o resultado é sempre o mesmo: a redução do colectivo dos espectadores a consumidores de uma gritaria em que até deixa de ser possível cultivar alguma réstea de gosto por esse jogo fascinante que dá pelo nome de futebol.

3 - A certa altura, contei nada mais nada menos do que oito-canais-oito a transmitir o mesmo alarido, como se fôssemos um país onde nada acontece, a não ser uma vida social reduzida aos contrastes grosseiros do mais básico imaginário futebolístico. Aliás, mesmo que não acontecesse mais nada, esperava-se, pelo menos, que algumas formas de televisão não cedessem à facilidade do lugar comum em que se aconchegam e, no seu próprio interesse, ousassem propor-se como alternativa. Não o fizeram — podemos supor que não o querem fazer.

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Mazzy Star, I'm Less Here



Os Mazzy Star lançaram um single inédito para assinalar a edição deste ano do Record Store Day. A canção surgia regularmente nos seus concertos há já algum tempo mas esta é a sua primeira edição oficial.

Novas edições:
Angel Olsen, Burn Your Fire For No Witness


Angel Olsen
“Burn Your Fire For No Witness”
Jagjaguwar
4 / 5

Os espaços da country no feminino e da cultura indie por vezes cruzam-se com belos resultados pela frente. E se Neeko Case é já uma figura aclamada e Michelle Shocked uma referência, Angel Olsen é mais um nome a juntar a este espaço onde há mais mudanças em curso que aquelas que o conservadorismo muitas vezes associado a estes terrenos poderia sugerir. E atenção que kd Lang não tem sido a única promotora de outros valores por aqueles lados musicais. Mas falemos de Angel Olsen. Criada no Missouri e com primeiros sinais de visibilidade talhados ao lado de Bonnie Prince Billy, começou por registar pequenos lançamentos, cabendo ao disco editado já este ano – por uma independente de maior perfil internacional – um momento de mais evidente exposição. E em boa hora assim a coisa se fez. Dois anos depois de um primeiro álbum que chamou talvez apenas as atenções dos mais próximos seguidores destes domínios, o novo Burn Your Fire For No Witness é um magnífico exemplo de como as raízes clássicas do relacionamento da country com a cultura pop/rock (história que remonta à década de 50) pode gerar momentos de imponente diálogo com formas e modelos de produção da cena indie do nosso tempo, o fulgor carnal próximo da alma de uma PJ Harvey habitando alguns dos momentos, os arranjos ora caminhando entre uma plácida simplicidade para voz e seis cordas ou a dimensão maior de uma catedral de acontecimentos pop/rock de delicioso travo gourmet. Entre os caminhos indie rock de Forgiven/Forgotten (na melhor descendência dos ensinamentos de umas Throwing Muses) ou a luminosidade festiva de escola country do irresistível Hi-Five desenha-se aqui o momento de afirmação de uma voz autoral que vai mesmo valer a pena acompanhar atentamente.

Clássicos da Eurovisão:
France Gall (1965)


A primeira das três vezes que Serge Gainsbourg levou uma canção sua à Eurovisão valeu ao Luxemburgo a sua segunda vitória e ao festival o primeiro momento de visibilidade maior de uma emergente cultura pop/rock (onde até então o território baladeiro era predominante). Foi em 1965 que, com uma letra cheia de duplos sentidos, Gainsbourg surgiu como autor de Poupée de Cire Poupée de Son, canção com a qual France Gall defendeu as cores do Luxemburgo, que terminou assim à frente do Reino Unido e França, os três primeiros depois da votação. Entre os concorrentes desse ano surgiam nomes como os de Udo Jürgens (que venceria pela Áustria em 1966), Bobby Solo (Itália) e Simone de Oliveira (que, com Sol de Inverno, colhia o primeiro ponto na história do certame para Portugal, atribuído pelo Mónaco).

Serge Gainsbourg regressaria duas vezes mais como autor ao Eurofestival. Em 1969 com Boum Badaboum, canção que Minouche Barelli interpretou pelo Mónaco (e que terminaria em 5º lugar). Em 1989 surgiu finalmente pela França (a sua nacionalidade), com White & Black Blues, que Joelle Ursull levou ao 2º lugar. 


Poupée de Cire Poupée de Son é uma das canções da história do Eurofestival mais vezes reinventadas em versões. Os Arcade Fire apresentaram a sua leitura desta canção na digressão que acompanhou o lançamento de Neon Bible. Os Belle & Sebastian também a interpretaram ao vivo nas suas Black Sessions.

Podem recordar aqui France Gall na versão original da canção.